Estudo do vírus rábico em indivíduos e colônias de quirópteros no Rio Grande do Sul Brasil

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S. M. Pacheco
J. C. A. Rosa
H. B. C. R. Batista
P. M. Roehe

Resumo

O número de espécies de quirópteros infectadas pelo vírus da raiva (RABV) tem sido crescente. Até o momento, 42 espécies de três famílias foram identificadas no Brasil. Os dados sobre a prevalência do vírus nestas espécies e a importância destas na manutenção dos diferentes ciclos da raiva, ainda são escassos. O Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF/FEPAGRO) é referencia para o diagnóstico de raiva no Rio Grande do sul (RS), sul do Brasil. Desde agosto de 2007 o IPVDF/FEPAGRO faz a identificação morfológica dos quirópteros enviados ao diagnóstico de raiva, cujos espécimes são provenientes de diversos municípios do Estado. A identificação das espécies de quirópteros é fundamental tanto para avaliar a circulação do RABV, como para identificar possíveis impactos do estresse nas colônias de quirópteros das diferentes espécies. De 2007 a 2011 houve 47 morcegos positivos para o RABV variando de 07 a 13 indivíduos/ano. Cerca de 300 morcegos/ano foram enviados ao Laboratório de Virologia do IPVDF/ FEPAGRO para o diagnóstico de raiva, provenientes de 115 municípios. Das 38 espécies que ocorrem no RS, nove foram identificadas infectadas com o RABV. As espécies são Artibeus lituratus e Desmodus rotundus pertencentes à família Phyllostomidae; Eptesicus furinalis, Histiotus velatus, Lasiurus ega, Myotis levis e Myotis nigricans da família Vespertilionidae, e representantes da família Molossidae, Molossus molossus e Tadarida brasiliensis. As espécies A. lituratus, E. furinalis e Lasiurus ega foram relatadas como agressoras. Porém, tal agressão ocorreu no momento da captura. As outras espécies identificadas positivas para o RABV não apresentaram relatos de agressão, apesar de terem sido identificadas muitas fraturas ósseas e cranianas (às vezes, quase sem cérebro), lesões internas (órgãos com hematomas) ou carcaças secas. As espécies Molossus molossus e Tadarida brasiliensis são as espécies mais frequentes com diagnóstico positivo para raiva e, também as mais comuns no Rio Grande do Sul. Nos últimos dois anos (2010- 2011) o IPVDF/FEPAGRO vem recebendo indivíduos provenientes de colônias e, então, é realizada a análise a fim de verificar se as colônias possuem circulação do vírus rábico. Os resultados mostram que colônias até 70 indivíduos não possuem morcegos positivos; no entanto, em alguns casos, morcegos encontrados mortos e provenientes de colônias com mais de 500 ou 1000 morcegos, possuem indivíduos positivos, e nesse caso, a espécie é T. brasiliensis. Os dados demonstraram que nem sempre os relatos de agressões por morcegos estão relacionados com a infecção pelo RABV. Portanto, estudos devem ser realizados para avaliar se o impacto na remoção dos morcegos de seus abrigos diurnos, sem aguardar sua dispersão natural e sazonal, acarreta o aumento do estresse nas colônias, e consequente queda na imunidade, que pode influenciar no aumento do número de indivíduos infectados pelo RABV. 

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Como Citar

PACHECO, S. M. et al. Estudo do vírus rábico em indivíduos e colônias de quirópteros no Rio Grande do Sul Brasil. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, São Paulo, v. 10, n. 2/3, p. 88–88, 2013. Disponível em: https://www.revistamvez-crmvsp.com.br/index.php/recmvz/article/view/2544. Acesso em: 7 jul. 2026.